14/08/2009

 Talvez eu finalmente esteja me encontrando. Criei este blog num período difícil, que eu esperava que fosse passageiro, de muita dúvida e insegurança. Fiquei dividida entre criar um blog que fecharia rápido, mas que serviria para eu publicar alguns bons textos e trocar idéias; ou aguardar um pouco parar criar um blog definitivo e não ter com quem desabafar certas coisas. Optei por abrir este espaço no qual me procurar, e ao que tudo indica eu me encontrei, além de encontrar também gente nova e interessante. Ele vai ficar no ar como um registro de um mau período e da superação dele, agora eu criarei um novo, que ainda estou arquitetando.

 Já não há motivos para negativismo, uma vez que a minha vida finalmente parece caminhar para o rumo que eu queria dar a ela desde que eu era muito jovem. Se, antes, a eu era pura frustração por não poder lutar por aquilo que eu desejo, agora estou dando passos sólidos em direção aos meus anseios e já vejo no  horizonte as minhas conquistas. Antes, eu nem sabia por onde começar a batalhar pelos meus sonhos. Agora, estou ciente de que podem aparecer imprevistos no caminho, mas que tudo vai depender da minha fé e da minha determinação em seguir em frente - o tempo relutou, mas agora já me entregou as ferramentas necessárias para eu alcançar o sucesso, agora é arregaçar as mangas para usá-las.

 Espero estar começando uma nova fase, aproveitando bem a caminhada, procurando ser feliz nela e mantendo o foco nos resultados que pretendo alcançar. Vou fazer com que o caminho valha a pena e viver a delícia de estar me entregando de coração ao que eu desejo obter - e quando acontecer, será apenas o ápice de uma felicidade que eu já começo a viver hoje.

 Sobre o post anterior, já me decidi sobre o que vou fazer: arriscar tudo e colocar nas mãos de Deus e da Deusa o meu destino. Confio neles plenamente e sei que as decisões que eles tomarem sobre a minha vida serão as mais acertadas. Todas as oportunidades, Eles me dão; todas as minhas preces, Eles sempre ouviram; tudo o que eu posso fazer é agradecer com toda a minha fé. A minha religião e os meus princípios éticos sempre me nortearam, vocês todos sabem disso. Mas acabei percebendo que fui ortodoxa, inflexível, excessivamente rígida neles, não deixando espaço para excessões justas. Tive que fazer algumas concessões, mas vou manter sempre o espírito voltado para Deus e cumprir a minha promessa de infância de nunca deixar a conveniência social e o dinheiro me afastarem do certo. Deixar uma excessão atormentar a minha consciência é um desperdício de tempo. Também luto por outras coisas, sem ser aquela, e estou no rumo certo para alcançá-las.

 Adeus adolescência, adeus infância, não sentirei saudades! Como vocês demoraram a passar, heim? Agora abram caminho para as minhas realizações, obrigada por tudo e não precisa mandar notícias.

 Obrigada a todos que comentaram nos posts deste blog pelo apoio neste momento difícil. Em breve eu volto, renovada. ^^

Confidenciado por Lílian Rose Black às 12h21

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31/07/2009

 Eu tenho um sonho. Um sonho tolo, um sonho que visa apenas a satisfação dos meus próprios anseios egoístas e burgueses, um sonho que não vai mudar o mundo para melhor nem é nada particularmente honrado. Mas eu tenho. Talvez ele tenha sido implantado em mim pela mídia, pela sociedade de consumo, mas saber disso racionalmente não faz com que o meu coração deixe de querer alcançá-lo.

 Não há muito o que lutar para conseguir, está mais para uma questão de sorte. O grande problema é: para realizá-lo, eu terei que correr sérios riscos de saúde e de vida. Se eu fracassar, poderei sofrer deformações físicas graves ou mesmo falecer. Mas eu quero. Quero, quero e quero. Quero desde tão jovem, quero com todas as minhas forças. Só não sei se o bastante para arriscar tudo.

 O que devo fazer? O que vocês fariam, no meu lugar?

 Desejo, teimosamente, e não estou preocupada com a família estar contra. De qualquer forma, só de tentar já estarei destinada à morte: pode ser que eu renasça em outro corpo, para uma nova vida; ou no mesmo corpo, para continuar a minha vida atual, só que realizada, renovada. E essa dúvida, essa angústia tem me paralisado, me impossibilitado de escrever, de me concentrar no trabalho e nos estudos, de viver saudavelmente.

 Talvez alguns de vocês tenham sacado qual o meu desejo. Não quero falar diretamente disso, é um tanto envergonhante e é quase até um sonho indigno de um post. Mas sei que muito pouca gente pode me julgar pelo que eu estou passando. Muitos caem nas mesmas tentações que eu.

 Às vezes me pergunto se ficaria um pouco de culpa na minha mente, caso eu conseguisse. Seria irreversível, uma vida de consciência atormentada. Mas o que é pior: viver eternamente sonhando e podendo realizar, mas com covardia de tentar, ou viver a vida toda com uma realização dentro de mim e, junto com ela, uma culpa irremediável? (Se eu sobreviver.) Bem, eu estou fudida de tudo quanto é jeito não é?

 Como será viver sem a minha saúde, caso eu sobreviva mas com seqüelas? Me acostumei tanto com ela que mal consigo sentir gratidão. Parece um perigo tão distante, uma coisa que parece que nunca vai acontecer com a gente, que é muito difícil analisar friamente. Não consigo entender completamente o que é não ter a saúde perfeita, quer dizer, tenho rinite, tive bronquite, mas nada de extraordinário... e se eu arriscar tudo e der errado? Terá valido a pena? E se eu um dia olhar pra trás e me arrepender profundamente e ver que não valeu?

 E se um dia eu olhar para trás, e ver que viver segura mas infeliz não valeu de nada?

 O que fazer? Dia após dia, essa questão vem se tornando mais contante na minha mente, quase uma obsessão. E o momento da decisão está para chegar.

[Editado] Horóscopo do dia: "O momento é mais que propício para colocar em prática algumas das mudanças que se fazem necessárias em sua vida, havendo sintonia interior e maior capacidade intuitiva para tomar as decisões certas com desapego e coragem. Arregace as mangas e corra atrás daquilo que almeja. "[/Editado]

Confidenciado por Lílian Rose Black às 13h24

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18/07/2009

Escrever é uma golfada de ar durante um afogamento. É um grito de desespero em uma língua compreensível por poucos. É um mapa em pleno deserto, uma tentativa desesperada e infrutífera. Escrever é um anestésico, não é um remédio.

 Escrever é mergulhar em águas turvas. É um caminho que se percorre já sabendo que não se chegará a parte alguma. É quebrantar a alma em pedaços e espalhá-los ao acaso. É tentar solucionar, em vão, os enigmas indecifráveis.

 Não é só registrar, é registrar-se, sempre. É bidimensionar o adimensional. Escrever é um ato de conseqüências imprevisíveis e, geralmente, diminutas. Escrever é uma bosta, talvez, fertilizante. É deixar um cadaver que, após putrefato, talvez nutra as raízes de um cactos - ou de uma flor.

 Escrever é um reflexo de resposta a uma dor intensa.

Confidenciado por Lílian Rose Black às 00h35

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14/07/2009

  Uma angústia vem me corroendo há anos: por que eu sou do jeito que sou? Tímida, introvertida, pouco comunicativa. Estudiosa, séria, desastrada, insegura. Já tentei me aceitar ou mudar tantas vezes...! Ah...! mas é sempre em vão!! Já tentei encontrar os motivos em traumas de infância, psicólogos, astrólogos (não se preocupe, capricornianos são mesmo tímidos...), vidas passadas, já fui gótica, achei que isso se relacionava com o fato de eu ter visões, mudei de religião, mudei de escola várias vezes, já tentei mudar a mim mesma das mais diversas formas, mas não houve oração, curso de teatro, curso de dança, simpatia, conselho de amiga, mudança no guarda-roupas, tentativa descarada de fingir ser quem eu não sou ou o que fosse que me mudasse!

 Ultimamente cheguei no fundo do poço de questionar até a minha nacionalidade. Afinal, brasileiros não tinham que ser alegres, comunicativos, expansivos...? Penso até em mudar de país, para ver se em países nórdicos as pessoas aceitarão melhor o meu jeito de ser. Até tenho alguns amigos, com quem tenho pouco contato e muito medo de perder. O que saiu errado em mim? Por que não consigo sorrir e me integrar como todos os outros?

 Sempre me pedem satisfação e perguntam por que eu sou assim. Jamais sei o que responder. Queria tanto mudar, mas parece que é mais forte do que eu. Seria uma doença, a depressão? Seria algo que eu carrego de uma vida anterior? Eis que a minha vida social é um inferno, meu relacionamento com a família difícil e, quanto a eu ter a minha própria família, é impossível, já que não há alguém no mundo capaz de suportar a minha excentricidade.

 

Confidenciado por Lílian Rose Black às 14h35

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10/07/2009

 Dezenas de burgueses e pobres passavam por Lílian diariamente. A cada cliente bela e bem-vestida que recebia, mentalizava: "Não preciso invejar ninguém, pois alcanço tudo aquilo que almejo." Quando terminava, primeiro pensava: "a cada minuto que trabalho, o sucesso está mais..." e depois gritava:

 - Próximo!

 não acreditava totalmente naquilo, mas tentava se obrigar a fazê-lo.


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 Foi rolando a lista de contatos do celular. Algumas dezenas de números, mas apenas três pessoas com quem realmente podia contar se precisasse. Releu as mensagens de texto que enviara - recadinhos avisando que iria se atrasar um pouco para pessoas que geralmente se atrasavam mais ainda que ela e tentativas de marcar encontros com várias pessoas, quase todas as vezes infrutíferamente. "Como sou tola!", pensava, sozinha. Talvez por isso os casais que passavam por ela a incomodavam tanto.

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  Fotos do casamento de uma tia. Luxo algum para Lílian, mas o máximo de glamour que aquelas humildes pessoas podiam ter. Tanto bom-humor e tão poucos bens materiais - como eles conseguiam?

 Nem tinham carro, mas o pai de Lílian os levaria de carona até o ponto de ôniubs mais próximo. A noite paulistana parecia ainda mais escura através do insul-film do vidro, e do olhar gótico da passageira, que recaía sobre mendigos, cães, crianças de rua, habitações precárias e adolescentes grávidas. O inverno acentuava as agonias de todos.

 Após se despedir da tia e dos primos, Lílian voltava para casa com uma pergunta na mente. Como encarar o negro do céu - como uma triste era escura ou como prenúncio de um novo dia?

 Não sabia o por que, mas sempre optava pela primeira hipótese.

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 Saudações a todos! É bom estar de volta... não acreditem em 100% do que eu disse no post anterior, era um texto ficcional em grande parte. Partiu de comentários que eu ouvi no metrô sobre alguém ter se jogado nos trilhos... como tem gente fria no mundo! Bem, estou em mini-férias do cursinho, o que me deixará com um pouquinho de tempo para blogar, pensar e reorganizar a vida. Não prometo atualizações constantes nem respostas rápidas para os comentários, mas farei o possível. É bom poder desabafar um pouco. ^^

 Ice Kisses

 

Confidenciado por Lílian Rose Black às 13h53

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28/06/2009

 Amanhecia em São Paulo, mas ali debaixo da terra não era possível ver o sol nascendo. Devorando os trilhos vem um trem, com seus rangidos e uivos irritantes, até parar em um estação paulistana. Sobe nele uma jovem trabalhadora, que senta sem remorsos em um dos acentos cinzas - só ela sabe a dor e o cansaço que carrega consigo, talvez maior que o de alguém que já viveu 50 anos mais.

 Durante a breve viagem pensou na imensa loucura que era estar ali, e se perguntou se apenas ela era capaz de percebê-la. Sobre sua cabeça uma cidade imensa delivara, com seu fluxo inexorável de veículos apressados. Mães - algumas tão jovens! -  levavam seus filhos para a escola, jovens fúteis voltavam para suas casas após as farras noturnas, executivos corriam com os olhos nos relógios e todos, todos iam como se estivessem atrasados para o mais importante dos compromissos.

 Ninguém, ninguém parecia reparar na insanidade de tudo. As máquinas registradoras dos caixas soluçavam, vomitando comprovantes de compras de produtos que prometiam preencher o corações de seus consumidores, mas não cumpriam. As águas escuras do Tietê denunciavam silenciosamente a morte da natureza. O vento levantou uma minissaia, e trazia aos ouvidos da dona um assovio - e ela, cheia de si, seguia seu caminho sorrindo, após deixar à mostra aquilo de seu que sua sociedade considevara mais valioso.

 Aparentemente, não havia um achando tudo aquilo anormal. Nossa jovem não via sentido em nada daquilo - nos mendigos excluídos, nas freiras com sua fé anacrônica, no velho nissei sentado ao seu lado, fechado para o Ocidente com sua tenacidade em não acolher o novo e o diferente.

 Ela se sentia tão só, e seus gestos sem qualquer amplitude e repercussão como reciclar o próprio lixo e comprar briga com professores machistas a isolavam ainda mais, tornando-a chata e irritante aos olhos de todos.

 Lembrou-se de seu parco salário, da função irritante que desempenharia se fosse chegar ao trabalho naquele dia, e de como sonhava quando era mais jovem, imaginando-se em um vestido de noiva, com um homem sem rosto lhe jurando amor eterno.

 Não agüentou mais a voz em sua cabeça dizendo "na alegria e na tristeza, na riqueza e na pobreza" e desceu algumas estações antes, pois doía mais do que ela podia suportar saber que não ouviria aquilo jamais na realidade concreta.

 Parecia uma passageira como todas as outras, aparentava a mesma indiferença de todos. A única coisa que alguém poderia estranhar era que ela estava aguardando um trem na mema plataforma na qual acabara de desembarcar, olhando ansiosamente como quem tem muita pressa.

 Quando, inexorável como o tempo e a morte, o trem chegou na Santa Cruz, ela se jogou nos trilhos. Alguns minutos depois, os passageiros do próximo trem foram informados de que a viagem seria interrompida por alguns instantes enquanto um corpo era retirado dos trilhos. Mais de um passageiro comentou, em voz alta, coisas do tipo: "não dava pra escolher outra hora para se matar, meu?".

 Não, mentira. Semanas antes, outra pessoa havia se jogado, gerando o comentário, ouvi dizer esses dias. A jovem da nossa história seguiu viagem, estudou, trabalhou, volto para casa de metrô após as onze da noite, resistindo novamente à tentação de libertar-se de tudo. Chegou ao seu quarto exausta, sabendo que acordaria às 5h40min no dia seguinte, e mesmo assim ligou o compurtador, entrou no site do UOL e começou a criar um novo espaço, no qual compartilhar a sua hitória. Este.

Confidenciado por Lílian Rose Black às 19h44

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